Método GRG · A conta
Quanto cobrar por atendimento
O piso do seu honorário é o que a sua prática precisa cobrar para pagar o custo fixo, o imposto e a sua retirada — dividido pelos atendimentos que a sua agenda de fato produz, não pelos que ela poderia produzir. É uma conta de seis números, e todos eles são seus. Abaixo dela, você está financiando o próprio trabalho.
Esta página não diz quanto o mercado paga. Não existe aqui nenhuma média, nenhum benchmark, nenhum “profissionais como você cobram” — esses números circulam bastante e quase nunca vêm com fonte. Onde existe referência pública de verdade, eu mando você ler a fonte (é o caso da psicologia, logo abaixo). Onde não existe, eu digo que não existe.
Seus números
Os horários que você consegue oferecer, não os que estão preenchidos.
Em média, de cada 10 horários abertos, quantos viram atendimento? (7 = 70)
Já descontando férias, feriados, congresso e a semana que some.
Sala, contabilidade, sistema, supervisão, plano — tudo que sai mesmo sem atender.
Depois do imposto e depois do custo fixo. É o número que importa.
A alíquota efetiva que você paga hoje sobre o que entra. Se não souber, deixa como está.
O piso
R$ 222
por atendimento
Abaixo desse valor, a sua prática não paga o custo fixo, o imposto e a retirada que você declarou. Não é o seu preço — é o chão dele.
- Se a agenda enchesse
- R$ 178
- Atendimentos no ano
- 880
- Faturamento que isso exige
- R$ 195.506 no ano
O que os horários vazios custam
R$ 44
É quanto de cada atendimento paga pelos horários que não encheram. Ocupação é preço.
A conta: (retirada + custo fixo) × 12, dividido por (1 − imposto), dividido pelos atendimentos que a ocupação declarada produz no ano. O imposto entra como percentual do faturamento. Nada aqui vem de fora — todos os números são os que você digitou.
A resposta de mesa
O piso é uma conta. Isto é o que você diz.
Quando alguém pergunta quanto você cobra — num jantar, numa mensagem, num e-mail — o que trava quase nunca é o número. É a frase. Escolha o valor que você vai dizer e leve as três versões prontas.
Está R$ 8 acima do piso que você calculou.
Dita em voz alta
Uma sessão comigo é R$ 230.
Ponto final. A frase acaba aqui — é a ausência do «mas depende» que muda a conversa, não o número.
Por mensagem
Oi! Que bom que você lembrou de mim. Uma sessão é R$ 230. Se fizer sentido pra ela, me manda o contato que eu falo direto e explico como funciona.
Por e-mail
Oi, Obrigada pelo contato. O valor da sessão é R$ 230. Se quiser seguir, me diz dois horários que funcionam pra você que eu confirmo na agenda. Um abraço,
Sem justificar o valor e sem pedir desculpa por ele. O preço vem numa linha sozinha, de propósito.
Um jeito de conferir: leia em voz alta e repare se você sentiu vontade de acrescentar alguma coisa depois do número. Se sentiu, a frase ainda não é sua — e o que falta não é preço, é o que vem antes dele: para quem você atende e o que a pessoa leva embora.
Se você é psicóloga: existe uma referência nacional
O Conselho Federal de Psicologia e a Fenapsi publicam uma tabela de referência nacional de honorários, elaborada pelo DIEESE, com valores organizados em três limites (inferior, médio e superior) por procedimento. Os valores vigentes desde 1º de julho de 2025 foram atualizados pelo INPC-IBGE até junho de 2025. A própria tabela diz que é referência: não fixa preço mínimo nem máximo.
Não reproduzo os valores aqui. Um número de honorário com o nome do seu conselho ao lado só vale se estiver certo, e o certo está na fonte — que é pública, gratuita e provavelmente mais atual do que qualquer cópia minha. Compare o piso que você acabou de calcular com a linha do seu procedimento.
Tabela de honorários — CFPOnde a conta acaba
Esta página calcula o número. Dizer o número em voz alta, quando alguém pergunta num jantar, é outro problema — e esse não é de planilha. Ele costuma estar em outro lugar: no que a sua oferta promete, em quem chega até você, e em quão claro está para a pessoa do outro lado o que ela leva embora.
Quem assina esta conta: Gabriel Seguida — 7 anos desenhando ofertas e arquitetura de aquisição para especialistas com formação real, de consultório a operação digital de grande porte.
O passo seguinte
O piso é aritmética. O preço é arquitetura.
O Raio-X lê três das quatro dimensões que decidem se um negócio de especialista converte esforço em receita — audiência, oferta e tráfego — a partir de respostas suas, e diz qual delas está segurando as outras. É determinístico e gratuito: as mesmas respostas devolvem sempre o mesmo resultado.
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